Um dos maiores desafios do setor arrozeiro brasileiro, especialmente no Rio Grande do Sul, é produzir com menor impacto climático. O tema segue na pauta das discussões estratégicas, com foco na produção de baixo carbono e na redução do impacto ambiental do cultivo, com destaque para a diminuição da emissão de metano (CH4).
O assunto foi abordado nesta quarta-feira (25) na palestra “Arroz de Baixo Carbono: desafios e oportunidades de produzir com baixo impacto climático”, com Cimélio Bayer, professor de manejo de solos da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo o especialista, que atua há mais de 20 anos na área de emissão de gases de efeito estufa, a agricultura de baixo carbono não representa custo adicional, mas uma estratégia de longo prazo. “O mundo vai exigir isso. É possível manter o desenvolvimento a partir da redução do impacto ambiental”, afirmou.
O professor reforçou que as práticas de mitigação apresentam resultados consistentes. Segundo ele, o objetivo é ampliar a produção com menor emissão de metano. “O Rio Grande do Sul tem ciência, produtores e capacidade técnica para se tornar referência internacional em agricultura de baixo carbono na lavoura arrozeira”, destacou.
Cimélio explicou que alguns gases podem permanecer na atmosfera por até 200 anos e que a mitigação do metano na cultura do arroz gera impacto mais rápido. “Estamos com quase metade da emissão média nacional. Uma das menores do mundo”, acrescentou.
Entre as tecnologias citadas pelo professor estão o manejo adequado do solo, a preparação da área para o próximo plantio, o uso de variedades de ciclo médio em substituição às precoces, a rotação de culturas e a irrigação intermitente, além da interrupção controlada do suprimento de água durante o ciclo. “A diversificação e a intensificação dos sistemas produtivos são centrais, com arroz em rotação com soja e milho, uso de cereais ou cobertura de solo no inverno e pastagens de inverno e verão, integrados em um sistema de produção”, completou.
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), com correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Informações e inscrições gratuitas estão disponíveis no site www.colheitadoarroz.com.br.
Foto: Paulo Rossi/Divulgação
Texto: Adriana Machado/AgroEffective
