Ex-ministro da agricultura revela os desafios e perspectivas do agro brasileiro


Com experiência de quem esteve no comando da pasta em governos anteriores, o ex-ministro da agricultura, Antônio Cabrera e Presidente do Grupo Cabrera, atuando no agronegócio em 10 estados brasileiros, começou abordando todos os desafios enfrentados por ele no comando da área na administração pública federal, entre eles a criminalização da atividade produtiva. “Lembro muito bem que todos os produtos eram tabelados e o governo costumava fazer uma intervenção pesada nos preços dos produtos”, relembra. Para ele, este é um grande problema, pois em relação a valores quem deve decidir valores é o próprio mercado. O ex-ministro também elogiou a ação da Embrapa na pesquisa de novos sistemas de manejo e o desenvolvimento de tecnologias.

Cabrera é contra a forma que o agronegócio é visto pela sociedade e retratado nos livros escolares. “Existem pessoas que estão contando a história da atividade agrícola de forma enviesada. Para se ter uma ideia, em 2023, o Brasil exportou alimentos para 229 países, incluindo mercados altamente exigentes em termos de qualidade como os Estados Unidos e o Japão”, ressaltou. Em suas viagens por vários países do mundo, o empresário traz exemplos práticos de como o agricultor costuma ser reverenciado pela sociedade, e este respeito pode ser visto em homenagens carinhosas nas embalagens de papel em redes de fast food a até placas de carro em alguns estados produtores de frutas na Flórida, por exemplo.

Ao contrário de outros países do mundo que acabam parando as suas atividades em função do tempo, mais especificamente a neve, caso dos Estados Unidos, no Brasil a produção no campo é realizada durante os 12 meses do ano. “Nós temos tudo para sermos os primeiros do mundo. Precisamos acabar com a burocracia e a judicialização”, aconselha. Outro aspecto que merece atenção, segundo ele, é o pagamento de impostos. Nos Estados Unidos o percentual é de apenas 1%, e por aqui, 31,45%. A malha rodoviária também é defasada. No território norte-americano chega a 293 mil quilômetros. França e Alemanha, 70 mil quilômetros de ferrovias. Bem diferente do estado de Mato Grosso, por exemplo, que possui apenas 200 quilômetros de ferrovias.

O ex-ministro reforça a urgência de avançarmos no mercado de arroz no Brasil. Nosso diferencial, segundo ele, está em emitir menos gases poluidores. “Também poderemos ser exportadores de sustentabilidade, respeitando o meio ambiente. Em alguns países as hidrovias são utilizadas para o escoamento da produção e elas passam em meio a áreas indígenas, sem nenhum problema. Eu sempre digo, o Brasil não tem problema, tem governo, e, quem nos governa, podemos mudar”.

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Mais informações no site www.colheitadoarroz.com.br.

Foto: Jô Folha/Divulgação
Texto: Adriana Machado/AgroEffective

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